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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dirceu e a PaTrulha: razão para otimismo?

Se o PT perder São Paulo, com certeza haverá motivo para festejarmos.

Já a condenação de Dirceu e de sua gangue petista não me deixa exaltado. A razão está em um paralelo histórico bem conhecido. A Itália - país que além de dominar muito melhor do que nós a sofisticada arte da enganação, tem um sistema judicial que historicamente se apegou com maior empenho à condenação de práticas anti-republicanas - passou nos anos 1990 por um processo de limpeza possivelmente mais sério do que o que estamos vivenciando hoje no Brasil.

A operação mãos limpas não só levou ao suicídio de dois altos executivos de empresas envolvidas no escândalo (que corresponderiam a Marcos Valério) e à fuga do país de ninguém menos do que o ex-presidente da República e então chefão do poderoso Partido Socialista - e da política italiana! -, Bettino Craxi, mas também condenou em torno de 1.400 pessoas em menos de 8 anos de investigações (Corriere della Sera).



Silvio Berlusconi e o então Presidente Bettino Crax, em famosa fotografia de 1984

Mesmo assim, a política italiana não parece ter mudado grande coisa. Em 2000, ano em que Craxi faleceu em seu exílio na Tunísia por complicações de diabetes, dos 1.400 condenados em definitiva pela operação mãos limpas, nada mais que 4 continuavam presos. Além disso, o reinado do maior dos mafiosos, Silvio Berlusconi, começara já em 1994 - ano em que as investigações estavam em seu auge -, ganhando força precisamente no período em que a magistratura se debrulhava para desconstruir os bilionárias esquemas de corrupção que se haviam instaurado nos anos 1980.

A foto acima se fez historica porque retratou a passagem do bastão de Craxi para Berlusconi: é como se este fosse o espelho daquele. Quando a justiça finalmente teve fôlego para de alguma forma atingir o núcleo do poder, derrubando um e arranhando outros, a criatura de Craxi já estava pronta para começar uma nova festa, com padrões contemporâneos e estilo inovador de assalto à coletividade.

Por isso, não acho que devamos nos iludir. A condenação do PT é histórica, sim, mas a limpeza da podridão de nossa sociedade exigirá esforço bem maior.

Será que temos um Berlusconi à nossa espera?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ecologismo bobô em queda livre

O mundo muda depressa. E o sinal que mais me deixa otimista é o que indica que o verdismo bocó está em baixa. O primeiro - e mais importante - indício deste movimento é, não há dúvida, a maciça derrotaque sofreram o marinismo e seu time de ambientalistas vulgares no código florestal. Este acontecimento não deve ser desprezado, na medida em que o Brasil é a maior potência ambiental e ambientalista do mundo.


O segundo indício é o fato de que no mundo desenvolvido o questionamento do ecologismo bobô está ganhando espaço. Por exemplo, na França está sendo bastante comentada a última sátira de Iegor Gran, que pega no pé de quem pensa estar salvando o mundo ao comprar nas lojas "bio" do momento. Os seus dois livros de humor ácido sobre o movimento verde, "ONG !" (2003) e "L'écologie en bas de chez moi" (2011), têm ganhado espaço no país que não perdoa nem Maomé, e que formou o grande expoente da filosofia anti-ecolô, Luc Ferry.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Samuel Benchimol


Um dos grandes pensadores da Amazônia do Século 20. Vastíssimas obra sobre a história, economia, sociologia da região.

Escreveu, no ano 2000, pouco tempo antes de falecer, este texto que precisaria ser lido por todo amazônida. Arrisco-me a dizer que transmite de forma única as aspirações, as preocupações, da grande maioria das pessoas deste nosso imenso mundo amazônico.

Não deixe de ler "A Amazônia e o terceiro milênio", de Samuel Benchimol.

sábado, 12 de novembro de 2011

Who will save Europe?


The Editorial written today by Corriere della Sera is real fun to read. It shows how a post-Berlusconi Italy might loose its current self-conciousness, which prevents it from taking any relevant position in European politics, and start doing some real effort to appear in the pictures along with Sarkozy and Merkel.
 
Britain's official position is also quite fun. Cameron and Osborne seem to imply that they will support anything coming from Europe that doesn't hurt "the City". They claim that a European Tobin Tax would impact London's financial centre disproportionately and that it would also cause a GDP loss for the whole of Europe. Their reasoning is nothing but funny. Imagine that my country produces some kind of toxic waste that gives me an undecent lot of profit, but every now and then causes the world to have a terrible GDP loss, so others propose that the waste I produce be taxed. Is it reasonable for me to argue that the tax is unfair because it will decrease my profits? Or should I instead admit that producing toxic waste is not good in the first place and I'd better look for something less damaging to make money from?

Europe is now trying to find its way out of the mess. Britain loves to pose as the one innovative and advanced country that really thinks long term, supporting sustainability and caring about climate change. Fine. Those are public goods that need attention. But how about the crucial economic stability public good? In this area Britain is actually trying to make sure that the mess repeats itself sometime soon, as at least in the meantime they make some good profit out of it.

Who will save Europe?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Com ou sem partidos?

Um segmento cada vez mais importante da sociedade vê nos partidos políticos o atraso, e acredita que a nova democracia deverá ser pautada por movimentos difusos, menos burocráticos, como o que dizem estar por trás do Marinismo.



Do lado dos que defendem essa idéia, cito José Eli da Veiga, que tem argumentos muito razoáveis, porém dos quais discordo. Do lado dos que são contrários, Reinaldo Azevedo, com cujos argumentos tendo a me alinhar.

O movimento difuso que mais me intriga é o "Avaaz, o Mundo em Ação". Um grupo de jovens bem intencionados escolhe temas políticos relevantes e polêmicos em diversas partes do mundo - por exemplo, a repressão aos ativistas sírios -, debate-os internamente, chega a uma conclusão que considera correta, e incita internautas de todos os países a fazerem pressão para que a tal posição "correta" seja adotada. No caso da Síria, eles querem que todos nós pressionemos a União Européia para que imponha sanções ao país, deixando de comprar o seu petróleo.

Não preciso entrar em detalhes para convencer o leitor de que a posição dos jovens do Avaaz em relação às sanções é extremamente debatível. Se a UE deixar de comprar, não haverá outros compradores? Caso não haja, só o regime sofrerá, ou também a população? Se for apenas o regime, existe uma alternative política melhor para o povo sírio?

Eu tenho, aqui na Inglaterra, um amigo sírio / italiano que considera as sanções bastante questionáveis.

Neste ponto chegamos ao problema central dos movimentos do tipo "difusos". Eles se apóiam majoritariamente na internet, que por essência é dinâmica e transversal. Conquistam, com isso, duas proezas que só o mundo moderno oferece: engajar pessoas que antes não teriam se engajado, pois tendem a ficar sentadas em casa vendo televisão - e agora acessando a internet -, e fazer com que essas pessoas dêem respostas rápidas, já que estão a um clique de distância, e efetivas, pois um "arrastão de twitter" pode derrubar políticos da noite para o dia.

O que não é intrínseco à internet é a capacidade crítica e argumentativa. Esta habilidade fundamental para o processo político não é potencializada nos movimentos difusos, o que faz com que as pessoas sejam levadas a opiniar sobre uma proposição, a se engajarem politicamente, sem antes fazerem a necessária reflexão, e sem terem a capacidade de convencerem outros sobre as suas próprias posições.

Ao darem transversalidade e dinamismo à política, sem adicionarem capacidade crítica, os movimentos difusos facilitam a captura das massas por idéias de todos os tipos.

É por isso que hoje, no contexto da internet, os partidos são mais necessários do que nunca. Porque eles nada mais são do que loci de debate, disputa, argumentação. Eles sim instigam a capacidade crítica. Eles sim confrontam as opiniões e produzem uma síntese que representa a mediana das posições e dos interesses daqueles que ali estiveram presentes.

Já argumentei em outro post que o Marinismo não tem a chave do futuro como pensa ter. Ele é, paradoxalmente, o caminho para o atraso, travestido de modernidade. O Marinismo, com sua presuntiva base difusa e eletrônica, estimula a captura dos mais vulneráveis - os despolitizados - por ideais que não representam a mediana dos interesses dos brasileiros, mas a síntese dos interesses das lideranças marinistas.