quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sobre economia e crematística

Aristóteles:

"A crematística natural reflete à economia doméstica, enquanto o comércio é a arte de criar riquezas não de qualquer modo, mas somente por meio da troca de bens. E é essa última forma, parece, que se relaciona com o dinheiro, pois o dinheiro é nesse caso elemento e limite da troca. Em consequência, essa forma de riqueza que provém da crematística assim definida é verdadeiramente sem limites (...) para esta forma de crematística não há limite para o seu fim, e seu fim é a riqueza e a aquisição de bens em sentido mercantil. Pelo contrário, a arte de adquirir riquezas para a administração da casa, totalmente diferente da crematística propriamente dita, tem um limite, e por outro lado a experiência de cada dia nos mostra que é o contrário que ocorre: pois todos os traficantes aumentam indefinidamente a sua reserva monetária (...) o uso não ocorre do mesmo modo nos dois casos (...) a forma doméstica da crematística tem em vista um fim distinto da acumulação de dinheiro, enquanto a segunda forma tem por fim a própria acumulação. Em consequência, alguns pensam que esta acumulação é também o papel da administração doméstica, e eles vivem continuamente na idéia de que seu dever é conservar intacta a sua reserva de moeda ou mesmo de aumentá-la indefinidamente. A razão dessa atividade é que eles se aplicam unicamente a viver, e bem viver, e como o apetite de viver é ilimitado, eles desejam meios de viver também ilimitados" (Aristóteles, Política).

Ruy Fausto comenta: o que se critica, assim, é propriamente a ausência de limite, quer na própria progressão da acumulação pela acumulação, quer na acumulação com vistas a um excesso de bem viver (Marx: lógica e política).

A economia neoclássica é, na verdade, crematística, pois não aceita qualquer noção de limite ao crescimento econômico (Juan Martinez-Alier).