terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ecologismo bobô em queda livre

O mundo muda depressa. E o sinal que mais me deixa otimista é o que indica que o verdismo bocó está em baixa. O primeiro - e mais importante - indício deste movimento é, não há dúvida, a maciça derrotaque sofreram o marinismo e seu time de ambientalistas vulgares no código florestal. Este acontecimento não deve ser desprezado, na medida em que o Brasil é a maior potência ambiental e ambientalista do mundo.


O segundo indício é o fato de que no mundo desenvolvido o questionamento do ecologismo bobô está ganhando espaço. Por exemplo, na França está sendo bastante comentada a última sátira de Iegor Gran, que pega no pé de quem pensa estar salvando o mundo ao comprar nas lojas "bio" do momento. Os seus dois livros de humor ácido sobre o movimento verde, "ONG !" (2003) e "L'écologie en bas de chez moi" (2011), têm ganhado espaço no país que não perdoa nem Maomé, e que formou o grande expoente da filosofia anti-ecolô, Luc Ferry.



Por fim, os últimos textos de Luiz Felipe Pondé na Folha de SP mostram que também no Brasil está ficando normal criticar o ambientalismo urbanóide. Aqui cabe uma rápida digressão. Pondé é o tipo de escritor que desce o pau em tudo e em todos, com humor naturalmente cínico, porque admite que a sua humanidade - e a nossa! - vem com erros, preconceitos, e deformações, e que é essa mesma a essência dela. Pois bem, se é assim, os seus textos deveriam refletir o pensamento de camadas sociais subversivas, ultrajantes, marginais mesmo; de setores não-alinhados, por assim dizer. Mas, paradoxalmente, aquilo que escreve Pondé alude precisamente ao pensamento que está em vias de sair do submundo e ganhar o campo do socialmente aceitável. Por quê? Fácil: porque ele escreve no caderno Ilustrada, espelho de elites urbanas que nada têm de anti-conformistas.

Fim da digressão. O texto "A demagogia verde dos salvadores", de Pondé, é apenas um exemplo de como está ficando aceitável, no Brasil, usar a cabeça quando se trata de ambientalismo. Outro sinal que não deixa de ser interessante, senão curioso, é o fato de que o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança (estes sobrenomes me lembram alguma coisa!), acaba de lançar o livro "Psicose ambientalista", que não deixa barato para os verdes. E por que isto seria interessante?

Os herdeiros da coroa brasileira não abandonaram o projeto de restauração da monarquia. Animaram-se com os 13% que tiveram em 1993, e fazem campanha, sempre que podem, contra a República, que teria sido uma sucessão de desastres. Pois bem, se a família real tem um mínimo de seriedade em seu projeto político, sabe que precisa ganhar a alma dos brasileiros, e entende que, para isso, precisa explorar um tema que nos seja verdadeiramente caro. Nada mais presente na retórica nacionalista tupiniquim do que a ameaça que representam os estrangeiros para a nossa soberania na Amazônia. Daí a estratégia de bater nessa tecla, decisão que eu considero acertadíssima.

O posicionamento nacionalista do príncipe brasileiro, há de se notar, vai de encontro ao intervencionismo envergonhado do príncipe britânico, o que claramente soma pontos políticos ao primeiro. Mas o que me interessa aqui é um pouco mais sutil do que isso. A família real não é boba, não!, pois se fosse, não teria conseguido 13% dos votos válidos no plebiscito de 1993. Ao adotar como trampolim político os temas do ambientalismo intervencionista e da ameaça à Amazônia, ela revela o conhecimento que tem do Brasil profundo - aquele que ganha eleições - e de sua aversão a tudo que tiver a ver com a turma do Greenpiss. Confirma, com isso, a idéia de que o mar não está para peixe na seara ambientalista.

No oceano da política, as idéias navegam ao ritmo dos pêndulos. A partir da conferência de Estocolmo, em 1972, os ventos sopraram fortemente a favor do ambientalismo. Na década de 1980 os verdes se regozijaram em alto-mar, e nos anos 1990 tiveram o empurrão da Rio-92. Talvez daqui a alguns anos venhamos a saber que 2007 - o ano em que Al Gore e o IPCC ganharam o Prêmio Nobel da Paz - marcou a ressaca do oceano, e a inversão da corrente.

Assim espero.

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