sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

The British way

Britain's position at the EU negotiations is that of sticking to the toxic pollution that gives London short term gains and the whole world long term losses. Compared to climate change, where the long term is much, much longer, and the losses are much, much less certain, unregulated finance is arguably a more urgent problem to be tackled.



Interestingly, Britain has chosen to be a heavy player in the climate change business while remaining a denier in anything that has to do with financial markets. While in the first case they try to get countries to cooperate to achieve "sustainable development", in the latter they hang tough on the notion of sovereignty.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Por que eu sou a favor de Belo Monte?

Ou: por que ambientalistas e Globais odeiam números?



(vídeo colocado no yutube por autor anônimo)

sábado, 12 de novembro de 2011

Who will save Europe?


The Editorial written today by Corriere della Sera is real fun to read. It shows how a post-Berlusconi Italy might loose its current self-conciousness, which prevents it from taking any relevant position in European politics, and start doing some real effort to appear in the pictures along with Sarkozy and Merkel.
 
Britain's official position is also quite fun. Cameron and Osborne seem to imply that they will support anything coming from Europe that doesn't hurt "the City". They claim that a European Tobin Tax would impact London's financial centre disproportionately and that it would also cause a GDP loss for the whole of Europe. Their reasoning is nothing but funny. Imagine that my country produces some kind of toxic waste that gives me an undecent lot of profit, but every now and then causes the world to have a terrible GDP loss, so others propose that the waste I produce be taxed. Is it reasonable for me to argue that the tax is unfair because it will decrease my profits? Or should I instead admit that producing toxic waste is not good in the first place and I'd better look for something less damaging to make money from?

Europe is now trying to find its way out of the mess. Britain loves to pose as the one innovative and advanced country that really thinks long term, supporting sustainability and caring about climate change. Fine. Those are public goods that need attention. But how about the crucial economic stability public good? In this area Britain is actually trying to make sure that the mess repeats itself sometime soon, as at least in the meantime they make some good profit out of it.

Who will save Europe?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Com ou sem partidos?

Um segmento cada vez mais importante da sociedade vê nos partidos políticos o atraso, e acredita que a nova democracia deverá ser pautada por movimentos difusos, menos burocráticos, como o que dizem estar por trás do Marinismo.



Do lado dos que defendem essa idéia, cito José Eli da Veiga, que tem argumentos muito razoáveis, porém dos quais discordo. Do lado dos que são contrários, Reinaldo Azevedo, com cujos argumentos tendo a me alinhar.

O movimento difuso que mais me intriga é o "Avaaz, o Mundo em Ação". Um grupo de jovens bem intencionados escolhe temas políticos relevantes e polêmicos em diversas partes do mundo - por exemplo, a repressão aos ativistas sírios -, debate-os internamente, chega a uma conclusão que considera correta, e incita internautas de todos os países a fazerem pressão para que a tal posição "correta" seja adotada. No caso da Síria, eles querem que todos nós pressionemos a União Européia para que imponha sanções ao país, deixando de comprar o seu petróleo.

Não preciso entrar em detalhes para convencer o leitor de que a posição dos jovens do Avaaz em relação às sanções é extremamente debatível. Se a UE deixar de comprar, não haverá outros compradores? Caso não haja, só o regime sofrerá, ou também a população? Se for apenas o regime, existe uma alternative política melhor para o povo sírio?

Eu tenho, aqui na Inglaterra, um amigo sírio / italiano que considera as sanções bastante questionáveis.

Neste ponto chegamos ao problema central dos movimentos do tipo "difusos". Eles se apóiam majoritariamente na internet, que por essência é dinâmica e transversal. Conquistam, com isso, duas proezas que só o mundo moderno oferece: engajar pessoas que antes não teriam se engajado, pois tendem a ficar sentadas em casa vendo televisão - e agora acessando a internet -, e fazer com que essas pessoas dêem respostas rápidas, já que estão a um clique de distância, e efetivas, pois um "arrastão de twitter" pode derrubar políticos da noite para o dia.

O que não é intrínseco à internet é a capacidade crítica e argumentativa. Esta habilidade fundamental para o processo político não é potencializada nos movimentos difusos, o que faz com que as pessoas sejam levadas a opiniar sobre uma proposição, a se engajarem politicamente, sem antes fazerem a necessária reflexão, e sem terem a capacidade de convencerem outros sobre as suas próprias posições.

Ao darem transversalidade e dinamismo à política, sem adicionarem capacidade crítica, os movimentos difusos facilitam a captura das massas por idéias de todos os tipos.

É por isso que hoje, no contexto da internet, os partidos são mais necessários do que nunca. Porque eles nada mais são do que loci de debate, disputa, argumentação. Eles sim instigam a capacidade crítica. Eles sim confrontam as opiniões e produzem uma síntese que representa a mediana das posições e dos interesses daqueles que ali estiveram presentes.

Já argumentei em outro post que o Marinismo não tem a chave do futuro como pensa ter. Ele é, paradoxalmente, o caminho para o atraso, travestido de modernidade. O Marinismo, com sua presuntiva base difusa e eletrônica, estimula a captura dos mais vulneráveis - os despolitizados - por ideais que não representam a mediana dos interesses dos brasileiros, mas a síntese dos interesses das lideranças marinistas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Só desgraça na Amazônia? Post longo

Há quase dois meses escrevi um comentário crítico à "rede Amigos da Amazônia", da FGV. Recebi resposta de Malú Villela, que publico aqui junto com a minha mensagem original e com a minha tréplica enviada hoje. O debate é sobre a visão depressiva, pessimista, viesada que se constrói da Amazônia a partir de fora dela.


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Primeiro a mensagem mais recente: 3) Só desgraça na Amazônia? 3


Cara Malu,

muito obrigado pela sua resposta, e perdão pela demora em lhe retornar.

Achei interessantes o Catálogo Sustentável e a seção de debates sobre questões latentes. Não acho, porém, que resolvam o problema da imagem pessimista e negativista que a mídia nacional constrói da Amazônia como um todo, e do seu setor privado em particular.

A real solução é uma mudança epistemológica: olhar para a Amazônia com um olho dentro dela e outro fora. Pois quando se olha com os dois olhos fora, cai-se na armadilha de comparar indistintamente alhos com bugalhos, Ceará com Paraná, Tanzânia com Alemanha.

No Catálogo Sustentável há 26 iniciativas públicas nacionais, das quais 2 de localidades do Norte do país (uma do NE e outra do NO); das 15 iniciativas do setor privado, nenhuma é do Norte do Brasil. Por quê? Há realmente tão pouca criatividade e qualidade nos setores público e privado do Norte e Nordeste brasileiros?

O problema é que não há iniciativas privadas em Rondônia, Amazonas ou Acre, que sejam comparáveis com iniciativas do Pão de Açúcar, da Natura ou da Motorola, por razões óbvias. Assim como nenhum município do Brasil conseguirá realizar um evento cultural comparável à virada cultural de São Paulo. Mas há muitas iniciativas em Rondônia que se destacam em relação à realidade do estado, e que certamente irão determinar os rumos do setor privado do estado no futuro. São as empresas de ponta da realidade do Norte do Brasil.

Comparar as empresas do Norte com a de São Paulo é um equívoco que leva a resultado pré-determinado: a visão de que o setor privado do Norte é ruim, arcaico, etc, etc. É o mesmo que comparar o setor privado de Nairóbi com o de Londres.

Num olhar de dentro para fora, as iniciativas de sucesso em sustentabilidade na Amazônia passam a ser as daquelas empresas que conseguem *sobreviver e* fazer o que o Pão de Açúcar, a Natura e a Motorola já fizeram há muito tempo. Daquelas madeireiras que conseguiram se adaptar ao modelo de planos de manejo; dos pecuaristas que conseguiram recuperar APP; das cooperativas de artesanato que conseguiram de fato gerar renda a partir de materiais não-madeireiros da floresta; das rádios comunitárias que passaram a transmitir programações com temas ambientais. As iniciativas daquelas micro, pequenas e médias empresas que foram capazes de fazer mudanças positivas ao mesmo tempo em que se mantiveram vivas.

Isso é uma mudanças epistemológica. E só a visão de dentro para fora poderá causar um impacto construtivamente positivo no setor privado regional. Caso vocês da FGV queiram ver na prática como se faz isso, basta virem conversar com os empreendedores de carne e osso da Amazônia: nós, em Rondônia, Roraima, Tocantins, já usamos há decadas essas lentes.

Cordialmente,


1) Só desgraça na Amazônia?


Prezados, parabéns pela iniciativa. Tenho críticas a fazer, no entanto. A idéia de vocês é contribuir para o desenvolvimento sustentável da região amazônica, e não tenho dúvidas de que, sendo um consórcio de escola de negócios, empresas e outras organizações, vocês reconhecem que o setor privado local tem um importantíssimo papel nesse caminho. Por sinal, estou escrevendo porque sou de Rondônia e trabalho com pesquisa e na prática na mesma área que vocês. Uma pessoa que não tem a menor idéia daquilo que se passa na Amazônia - como, infelizmente, é a maior parte dos brasileiros - chegará ao site procurando aprender sobre o assunto e encontrará, entre outros, os seguintes títulos: "quem se beneficia com a destruição da Amazônia"; "exploração ilegal de madeira torna o clima tenso"; governo quer tirar o produtor rural da ilegalidade sem anistiar desmatador"; e o pior, uma frase de Luciana Betiol que diz, devido a uma infeliz ambiguidade, que a compra de madeira da Amazônia é um padrão insustentável de produção e de consumo. O leigo aprenderá no site de vocês que a maior parte do que se faz na Amazônia é ruim: exploração ilegal, insustentável, destruição, etc. Será essa visão adequada? Não existirá um outro lado que está sendo omitido? Eu tendo a acreditar que a Amazônia como é hoje tem tanto a ensinar ao mundo quanto tem a aprender, e isto também significa que, se comparada com regiões com grau semelhante de desenvolvimento, a Amazônia tem um setor empresarial incrivelmente dinâmico, maleável, e acima de tudo, batalhador. As empresas e pessoas que lá estão, em grande maioria, sobreviveram aos anos 1980 e 1990 de uma maneira que poucos de nós somos capazes de imaginar. Em síntese, estou seguro de que a campanha é absolutamente louvável, mas tenho a impressão de que, apesar de serem FGV, vocês não conseguiram escapar do  ideário depressivo, negativo, viesado, que impera na sociedade brasileira quando se trata de Amazônia. Uma mudança paradigmática é necessária também neste campo.

2) Só desgraça na Amazônia? 2


From: maluvillela@gmail.com on behalf of Malu Villela
Sent: Tue 5/4/2011 16:32
To: Vale,PM  (pgr)
Subject: Re: Comentários

Prezado Petterson,

Em primeiro lugar, gostaríamos de agradecê-lo pelo interesse no site da Rede Amigos da Amazônia (www.raa.org.br) e pelos comentários deixados na seção "Fale Conosco", que é um espaço importante para que possamos receber críticas e sugestões em busca da construção de um melhor portal representativo da Rede.

As questões por você apontadas já faziam parte de um processo de reflexão da  Rede, quanto ao seu papel e contribuição para a sociedade, dentro de suas limitações e alcances. Temos repensado o site e seus espaços internos. Estamos em processo de criação de uma área para as experiências amazônicas, públicas e privadas, e que segue os moldes do site de um outro projeto que temos, o Catálogo Sustentável, que identifica exemplos de iniciativas públicas e privadas no tema do consumo sustentável. Veja em: http://www.catalogosustentavel.com.br/index.php?page=ConteudoSecao&idsecao=1
.

Com relação aos títulos das notícias que se encontravam no site quando de seu acesso, lamentavelmente está fora do nosso controle o conteúdo e freqüência com que reportagens ressaltando aspectos negativos da Amazônia são feitas e publicadas na mídia. No seu caso particular, cremos que no momento em que houve o acesso o cenário era de sucessivas notícias e
chamadas para estudos de denúncia. Podemos adiantar que já tivemos diversos momentos em que foi dado luz a  experiências públicas e privadas exitosas no bioma Amazônico.

Gostaríamos de adiantar, ainda, que, buscando a opinião do público para delinear o futuro da Rede, incluímos um link na página inicial denominado *"Mande sua sugestão"*, com a seguinte indagação: *"Que questões latentes na Amazônia você imagina que uma rede que reúne setor público, privado e sociedade civil em prol da conservação da floresta deveria abranger?"*. Dessa maneira, queremos construir, juntamente com o público, uma Rede que, de fato, articule todos os setores em prol da gestão integrada da Amazônia. Você também está convidado a responder a esta questão e a continuar nos encaminhando depoimentos e sugestões que nos ajudem, cada vez mais, a aprimorar o conteúdo do site.

Finalmente, agradecemos a sua ajuda ao identificar, na citação da Luciana Betiol, a ausência de duas palavras -* ilegal* e *predatório -*, que qualificam a madeira apontada como insustentável. Este equívoco já foi corrigido, uma vez que acreditamos que a madeira é um dos materiais mais sustentáveis que existem, desde que explorado de forma adequada.

Atenciosamente,

Equipe RAA

sábado, 19 de março de 2011

On Saif Gaddafi & LSE




[For full disclosure: I am a PhD student at the LSE, and a very happy one].

Now that the dust has settled it is possible to have an adult conversation on the relation between the LSE and Gaddafi. First to the facts:

1 - Saif-al-Islam Gaddafi took a Master and a PhD degrees at the LSE.

2 - There are claim that Saif's PhD thesis contained plagiarism.


3 - The LSE offered consultancy services to Lybia.

4 - One LSE research centre received a £ 3 million donation from a fund managed by Said Gaddafi.

My positions:


1 - the school has a very respectable selection process - indeed the most disputed one in the UK - and none has given evidence that Saif shouldn't have been selected in the first place. However, if he was selected on the grounds that he was potentially the most influential person in Lybia's politics and therefore the school had a great chance to positively impact the development of that country, then (a) the school was right - present facts fully supports this claim - and (b) it was arguably morally grounded as well.


If you want to contend with (b) you will have to show that the potential negative impact of the LSE having one "unfit" student exceeded the potential overall benefit of the LSE influencing policy in a country such as Lybia.


2 -The thesis can be read here. Again it is not too much to stress that the PhD evaluation process at the LSE is a highly rigorous one and that there are no reasons to believe that it could have favoured someone on any grounds whatsoever.


If the inquiry that is currently being conducted by the school finds out that the claims are legitimate and there is evidence of plagiarism, then of course the PhD title given to him will be revoked as it shall happen to anyone in the same situation. But so far there seems to be no definitive evidence of plagiarism, so we had better to be cautious and wait.


The fact that he was given advice by top academics working for a US consultacy called "The Monitor Group" (which also happens to have received US$ 3 million from Gaddafi for consultancy services to Lybia) does not delegitimize his thesis in any way. Quite to the contrary. Every good PhD student takes advantage of opportunities to interact with people who may contribute to their research, and if these opportunities are of easy reach, all the better.


Neither does using data gathered by the cited consultancy hurt the value of his thesis in any possible sense. All of us PhDs rely on the availability of evidence to support the arguments that we make in our researches, and there should be no disapproval of someone who uses personal connections to obtain access to such empirical information. I am myself trying to use family connections to government officials to gain access to a database that is of no open access, and if I succeed I don't expect anyone to be able to convincingly argue that I took a morally or scientifically questionable action, let alone plagiarism related claims.


Even if plagiarism is found in Saif's thesis the attacks that have been made to LSE staff by uninformed emotional analysts and more generally throughout the media will not be grounded. Anyone who has been on a post-grad evaluator's position (I have so far been only on the opposite side of the table) knows that plagiarism can be quite hard to detect, so nobody ought to be judged solely for having approved a thesis containing plagiarism.


[By the way, some of the attackers are plagiarists themselves - I know of at least one -, and journalists are by far the champions of plagiarism.]



3 - The role of University is to positively impact the world through the production of solid and robust knowledge. The particular case of the LSE is that of a world-level social sciences school that has historically focused on "discovering the causes of things" and on development issues.


The fact that the school's staff is constantly requested to provide consultancy services to individuals, companies, cities and nations all around the world is but one sign that it produces relevant knowledge and is able to channel it to real life policy making processes. Now if a consultant is asked to offer advice to a dictator on whatever issues that are clearly relevant to a whole country, are there any reasons why she shouldn't accept?


I don't think so. Unless the advice asked is on "how to design a cost-effective way of killing citizens who protest against us", or similar themes, one can't miss the opportunity of causing a positive impact solely because one's advice may end up being used for the evil. If one is really to follow such a doctrine in a coherent fashion then the best is to abandon the consultancy enterprise altogether; or would one be able to sustain the decision of giving advice to Bush's USA? To Blair's UK? To Fidel's Cuba? To Obama's USA?


4 - Receiving money from Lybia was a risky decision taken by the LSE because Gaddafi had a history of doing crazy things and the media would have inevitably turned against anyone with links to him if he were to honour his record (e.g.: do another Lockerbie). But it was not morally reprehensible. Otherwise receiving money from the UK, US or China, and from companies such as Petrobrás (you can see why here - in Portuguese) would have to become morally reprehensible too. Or can it be proved that this company / these countries are not responsible for killing people?


I strongly support the LSE's decision of receiving money from / giving advice to Lybia and believe that it should continue accepting kind donations from anyone who believes in its commitment to sound scientific research and decisive efforts to influence the policy making process anywhere in the world.