sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A Amazônia tem vocação agrícola?
Certo ambientalismo que não gosta de estudar história prefere acreditar que a Amazônia "tem vocação florestal, não agrícola". Indivíduos como João Paulo Capobiano, Marina Silva, Phillip Fearnside, entre muitos outros, escolheram ir na contramão do pensamento de alguns dos maiores conhecedores da história e ecologia da Amazônia, como Arthur Cézar Ferreira Reis e Samuel Benchimol, e defender que a região está destinada a ser um "santuário da vida silvestre, um banco genético com base na sua biodiversidade para aproveitamento futuro" (nas palavras do Prof. Benchimol).
Para mostrar que a Amazônia, desde que é conhecida como tal, apresenta vocação tanto florestal quanto agrícola, desmistificarei os argumentos do ambientalismo recorrendo às palavras do Sr. Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em carta que, na condição governador do estado do Grão-Pará e Maranhão, escreveu ao Rei de Portugal em 22 de janeiro de 1752 (sublinhados meus).
Sobre o algodão: "Dêstes generos, me parece que o de maior utilidade do comum, poderia ser o algodão, que não dando mais trabalho do que roçar-se o mato para se semear e conservar-lhe depois a terra limpa dêle, e podar-lhe alguns ramos que se secam, se conserva bastantes anos sem ser necessário nova plantação, dando sempre o seu fruto anual (...) No Pará se produz em tôda a parte; no Maranhão são as terras de melhor produção as margens do rio Itapucurú, e todo o mais continente que que medeia entre êste rio e os da Parnaíba e Mearim (...)"
Sobre a cana, que o ambientalismo conseguiu proibir na Amazônia:
"O segundo gênero, também de grande utilidade, é o do açúcar, o qual se cultiva nesta Capitania nas margens do rio Guamá, Mojú, Capim e Açú e em alguns riachos pequenos (...)"
Sobre o tabaco: "O terceiro gênero de grande utilidade é o tabaco, pelo muito que se poderia lavrar e extraír para fora do Reino.
Em tôdas as terras dêste Estado, é igualmente bom o tabaco (...)
Sobre o arroz: "O arroz se fabrica, nestas Capitanias, em tôdas as terras alagadiças nas quais se dá muito melhor que nas outras, porque nestas dá duas e três novidades cada ano (...)"
(Trechos extraídos do livro "A Amazônia na era Pombalina", 1963, primeiro tomo, de Marcos Carneiro de Mendonça, pp. 199-204.)
Pergunto, pois, aos Srs. ambientalistas, se região que tem vocação florestal, não agrícola, estaria produzindo bens agrícolas com crescente sucesso desde o século 18, alimentando a sua própria população e outras por vias dessa atividade, como bem mostrou o nosso governador de 260 anos atrás. Pergunto, ainda, se região com vocação florestal, não agrícola, continuaria lutando contra si mesma, e contra todos, sem sucesso, para conseguir obter alguma renda, por pouca que seja, a partir da floresta em pé? (não vale responder que a seringa enriqueceu a região, pois bem sabemos a quem enriqueceu e a quem escravizou).
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